Daqui, sem que
desconfies, mato saudades do teu olhar. Um olhar quase verde, quase meu, para
sempre o mais bonito. Lembro-me da primeira vez em que te vi, tão menina e tão
altiva, cheia de sabedoria e verdade. Como se soubesses onde está o tesouro que
toda a gente procura. Não mudava nada. Nem a malícia azul-escura do teu
sorriso, que esconde mais do que conta, que pede mais do que dá. E eu, por ti,
dou tudo, como sabes. Daqui vejo-te a usar uma das tuas saias improváveis e
tenho a absoluta certeza que todas as manhãs te vou amar mais do que gostaria.
Mesmo naquelas em que não acordamos juntos. És a estrada queimada por onde
passeio descalço, a seta que trespassa o peito a sangue frio, o oásis secreto
no centro da cidade. Não há ninguém como tu. Ninguém. Ninguém que tão bem saiba
o que é ser feliz sem falsos predicados ou condições absolutas. Ninguém que
consiga, dessa forma quase infantil, tomar conta de tudo o que é meu. Ninguém
que diga com igual descaramento “estou só a ver”, quando na verdade estás a
usar e a abusar, até ficares farta. Às vezes és um bocadinho má. Daqui
imagino-te a dançar em lugares onde nenhuma alma dançou. Ao som de músicas mais
antigas do que as tuas malas vintage e sempre, mas sempre, em bicos de pés. Porque o chão firme é o destino e nunca o caminho.
Toda a gente tem a sua história. E a minha é sobre ti.
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