quinta-feira, 15 de setembro de 2016

#3

Um dia, voltaremos aqui. E encontraremos o amor tal como o deixámos: suspenso na prateleira das coisas por estrear. Na altura, pareceu-nos a decisão acertada. Acelerar o passo, desviar o olhar e o coração. Eu era muito nova e tu eras absolutamente perfeito. Jamais podia desconfiar que estavas tão perdido como eu.

Um dia, vamos escrever cartas de amor e pendurá-las à porta da mercearia do bairro mais conhecido da cidade. Porque ao contrário do que me fizeste acreditar, o amor é de bradar aos céus. Evidente, absoluto e impossível de esconder. É o elefante escancarado no meio da sala. Um oceano de borboletas a dançar salsa na barriga.

Um dia vou trocar promessas tontas por beijos. Todos os beijos que houver para dar. Vou dançar contigo de mãos dadas, no meio da rua ou da sala, e fazer de conta que mais ninguém sabe o que é ser feliz. Tão feliz. Com sorte, vamos esquecer o tanto que caminhámos até voltar aqui, ao epicentro do caos e das certezas universais. Ao lugar agridoce que nos conhece de cor, onde nada falta,


meu Amor.

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